Morar no Japão, trabalhar, viver

Daniel Omine mora e trabalha no Japão há quatro anos. Ele já passou por vários empregos diferentes e hoje tem, lá mesmo, a sua própria empresa de prestação de serviços. Veja como tem sido sua experiência e absorva um pouco deste entusiasmo sobre esta cultura peculiar e cativante do Oriente.

  1. Para onde foi há quanto tempo vive lá?
    Japão. Estou há 3 anos.
  2. Viajou sob qual modalidade de visto: turismo, estudo ou trabalho?
    Visto de longa permanência. Vim para trabalhar e viver.
  3. Utilizou os serviços de algum tipo de agência? Qual? Eles são bons no que fazem?
    Sim, vim como a maioria por meio de empreiteiras. No começo há muitos atritos com os empreiteiros porque tratam os trabalhadores com desrespeito, mas a revolta dos trabalhadores iniciou um processo de mudança nesse quadro social.
  4. Como foi o processo para liberação do visto? Teve algum custo? É complicado?
    Sou sansei 3ª geração. Por isso não foi muito complicado, mesmo assim, na época demorou 8 meses e exigiram documentos da família inteira, incluindo tios e tias…
  5. Como foi o seu processo de adaptação? Foi difícil?
    Sou descendente, por isso, a adaptação social não foi difícil. Depois que aprende o idioma a adaptação fica cada vez mais fácil. O maior obstáculo pra qualquer estrangeiro é o idioma.
  6. Que tipo de estudo (s) ou trabalho (s) desempenhou?
    No primeiro ano trabalhei em fábrica de tratores durante 3 meses, depois 1 mes numa recicladora de madeira, 1 mês numa fábrica de navios trabalhando com solda, 4 meses numa fábrica de autopeças com solda. Depois disso consegui colocação num escritório japonês para trabalhar como engenheiro de software. 1 Ano depois abri minha empresa e presto serviços para empresas brasileiras, asiáticas e americanas.
  7. Como fez para encontrar moradia?
    Moradia ainda é complicado. OS estrangeiros não são bem vistos pelos japoneses por N motivos. Pra conseguir moradia é preciso ter um “hoshonin” fiador. Uma pessoa que assine um documento contendo termo do compromisso e responsabilidade sobre o inquilino.
  8. O que mais tem gostado esta experiência?
    Crescimento pessoal e profissional e uma visão maior sobre o mundo. Gostaria de viver em outros países para aprender mais.
  9. Recomendaria outra pessoa ir para lá? Pode dar algumas dicas de como proceder?
    Sim. Mas não venha como turista. Se pretende conhecer de verdade um país diferente, uma cultura diferente é preciso viver a cultura.
  10. Valeu à pena o retorno financeiro obtido?
    Sim. Trabalho árduo como em qualquer outro país.
  11. Há alguma curiosidade ou peculiaridade do local ou da cultura que gostaria de citar?
    Sim. É uma cultura sem igual. Muitos estrangeiros comentam com os japoneses que o comportamento deles, em outros países é visto como “comportamento de babaca”. Eles são muito disciplinados e repeitosos. Até mesmo criminosos pedem licensa ou desculpas pra uma vitima. vê se pode !!??
  12. Se tivesse que escolher um país que não o Brasil para morar permanentemente, viveria o resto de sua vida naquele país?
    Sim!

    No Brasil há muitos mitos sobre países estrangeiros. O Japão não é o mesmo que vemos nos filmes que passam no Brasil. Fiquei desiludido quando cheguei no Aquipélago e vi tudo totalmente diferente do que imaginava. Pessoas alegres, vivendo sua vida. Pessoas de todos os tipos. Muito diferente da imagem que o brasileiro tem sobre os japoneses. E sobre os ganhos financeiros, muitos ainda pensam que quem vem para o Japão fica rico… Doce ilusão. O custo de vida é um dos mais altos do mundo. Vive-se bem com certeza. O governo distribui a renda de forma justa e aplica a verba dos impostos em todos os setores principalmente educação e saúde. Segurança é incrível se comparado com países como Brasil. Nos relatórios da polícia, são disparados 125 balas de armas de fogo por ano. Geralmente quando há conflito entre policiais e criminosos.

    O índice de suicídios é elevado como em qualquer país de 1º mundo. Há muita solidão também. muitos jovens, em busca de liberdade, dinheiro e sonhos mudam-se para os grandes centros e moram sozinhos. O tempo passa muitos envelhecem solitários, o que contribui para a baixa taxa de natalidade.

    Existem muitas outras curiosidades, fatos, enfim… Se quiser conhecer um país, more, trabalhe, viva!

Daniel Omine

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Por: ManoelEm: 21.09.2008 | Em Trabalhar  | Tags: Japão, Trabalho, Viver 
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