Estudar na França: A vida simples é a que mais nos ensina

Uma querida amiga, a Giovanna [gioassis2.gif], foi com o seu marido Rodrigo para a França à estudo. Ficou um ano por lá. É um relato completo e sensível que não só nos dá uma impressão clara de como é a cultura e a vida naquele local, mas também oferece boas dicas para quem quiser viver lá.

  1. Para onde foi e por quanto tempo viveu lá?
  2. Morei um ano na cidade francesa de Valbonne, bem perto de Nice. A região conhecida como Côte D’Azur.

  3. Viajou sob qual modalidade de visto: turismo, estudo ou trabalho?
  4. Como fui para realizar um estágio de doutoramento, conhecido como doutorado sanduíche, tive visto de estudante.

  5. Utilizou os serviços de algum tipo de agência? Qual? Eles são bons no que fazem?
  6. Aqui no Brasil o visto eu obtive diretamente no Consulado Honorário da França aqui em Curitiba. Como eu tinha uma bolsa de estudos, uma agência de viagens da própria CAPES (Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) se encarregou da compra das passagens. Na ida não houve problemas, mas na volta eles cometeram alguns erros que se constituíram em grandes problemas para mim. Mas no final deu tudo certo!

  7. Como foi o processo para liberação do visto? Teve algum custo? É complicado?
  8. O processo não é complicado quando nos informamos com antecedência sobre a documentação necessária. Pela Internet consegui a maioria das informações. No meu caso, precisei de documentos que comprovassem a aceitação de meu estágio na instituição francesa e algo relacionado à moradia também. A CAPES também pagou todas as despesas de visto tanto aqui quanto na França. Pois eu recebi aqui um visto provisório, pois o definitivo eu consegui lá, depois de muita burocracia e exames médicos. A parte mais complicada foi preencher um formulário em francês, mas a secretária do consulado me ajudou a explicar exatamente o que queriam saber com as perguntas. Depois da solicitação oficial, demorou uma semana para pegar o visto.

  9. Como foi o seu processo de adaptação? Foi difícil?
  10. No início sim. Estar em outro país, sem família, sem amigos, nos faz perder um pouco as referências que temos. Mas depois de uns dois meses já estava adaptada e já era possível controlar as saudades do Brasil. Alguns aspectos que colaboraram muito para minha adaptação: já falar a língua, a calorosa acolhida dos novos colegas franceses, o apoio dos amigos e da família, e acima de tudo, a constante recordação do objetivo, do pensamento que tinha me levado até lá. No final dos 12 meses, já estava completamente adaptada e já sentia saudades da França…

  11. Que tipo de estudo (s) ou trabalho (s) desempenhou?
  12. Como eu já relatei, o motivo da viagem foi realizar um estágio, ou seja, fui para realizar a parte prática, do meu projeto de doutorado, cuja área de pesquisa é Genética Molecular. Cheguei ao laboratório com um único pensamento, aprender. Sabia que o que eles faziam lá eu nunca havia feito, então, a humildade de dizer “não sei”, “por favor, me explica”, “como se faz isso?”, “como se diz aquilo?”… foi fundamental. Foi interessante que com o passar do tempo, pude ir ensinando o que eu já sabia para aqueles que chegaram depois de mim no laboratório. Eu chegava bem cedo para trabalhar, ao contrário dos franceses, que normalmente chegavam depois das 10:00h. Isso me ajudou a aproveitar ao máximo as oportunidades que estava tendo, profissionais e pessoais também, pois como minhas tarefas estavam sempre adiantadas, aproveitava os feriados prolongados para viajar e conhecer um pouco a Europa.

  13. O que mais gostou durante toda a experiência? (Pode ser mais de um ítem)
  14. Conhecer a França e outros países foi maravilhoso! A culinária francesa é deliciosa, tantos vinhos, tantos queijos… Foram inúmeros os aspectos positivos, os aprendizados que tive com essa experiência, mas penso que o que foi mais importante no lado profissional foi o crescimento como pesquisadora, voltei mais confiante em mim mesma, mais consciente do meu potencial. Como ser humano, observando pessoas de uma cultura tão diferente da minha, compreendi um pouco mais a psicologia humana; percebi que a felicidade está dentro de nós mesmos, e onde quer que vamos, ela estará conosco; que a vida simples, é a que mais nos ensina…

  15. Recomendaria outra pessoa ir para lá?
  16. Certamente. Tanto a passeio — pois a região é linda e há muito que conhecer — quanto para morar, pois é um país que oferece qualidade de vida.

  17. Há alguma curiosidade ou peculiaridade do local ou da cultura que gostaria de citar?
    • Eu e meu marido morávamos em uma região cercada de bosques, muito verde, mas afastado do centro da cidade. Nos finais de semana, como gostamos de caminhar, sempre saíamos para explorar um pouco a região, era sempre uma trilha diferente, um caminho novo. Algumas dessas trilhas eram fechadas, mas não nos importávamos até o dia que, seguindo uma delas, nos deparamos com um javali enorme… Foi um susto só! Ele correu para um lado e nós para o outro. Depois contando para os colegas do laboratório, me disseram que era comum na região e que deveríamos ter cuidado, pois, às vezes, atacavam. Hoje quando lembramos damos boas gargalhadas, mas foi um grande susto, tanto que depois desse encontro, desistimos de seguir trilhas fechadas.
    • Algo que me chamou atenção foi o fato de que, enquanto aqui no Brasil você precisa de vários documentos que comprovem que você tem, que você é, que você fez, lá, muitas vezes, uma simples declaração, redigida de próprio punho, é suficiente.
    • A França incentiva a ida de estudantes para lá em vários aspectos, um deles, é através do auxílio moradia. No meu caso, eles pagavam praticamente todo o aluguel, pois era uma estudante morando na França, independente da minha nacionalidade.
    • A região é conhecida como Cote d’Azur (Costa Azul) pelo intenso azul de seus mares.
    • As praias em sua grande maioria, não possuem areia e sim pedrinhas, que deixa o mar ainda mais azul!
    • Os franceses prezam muito a família, então durante semana, é comum encontrar as famílias passeando pelos parques com seus cachorros. E por falar em cachorros, eles adoram esses animais. Eles têm acesso livre em ônibus, trens, shoppings, parques e até na maioria dos restaurantes. As pessoas que moram nas ruas sempre têm cachorros. Dizem que com cachorros, a prefeitura não recolhe e nem prende os mendigos, pois não teriam com quem deixar os animais.
    • Outra coisa que eles adoram são as flores. Domingo de manhã, eles saem passar na padaria para comprar uma baguete e depois vão comprar flores para enfeitar as casas. E eles não colocam a baguete em sacola de plástico não. Só passam um papel no meio dela para você segurar.
    • Nas cidades menores, eles têm o hábito de dizer “Bonojur” a todo mundo, mesmo a quem não se conhece. Simpático, não é?
    • Percebi que, como eles têm facilidade para adquiri os bens de consumo, se desfazem dos seus com muita facilidade. É comum você encontrar perto dos lixos, móveis, computadores, livros, em bom estado. Normalmente, eles preferem comprar algo novo, a mandar consertar.

  18. Se tivesse que escolher um país que não o Brasil para morar permanentemente, viveria o resto de sua vida naquele país?
  19. Sim!!! Quanto a isso eu não tenho dúvidas!

  20. Adicione outras informações que achar relevantes sobre como é a vida lá naquele local.
    • Por ser uma região que recebe muitos turistas, tudo lá é caro!
    • Viajar fica simples, quando se tem um sistema de trens e metrôs funcionando tão bem!
    • Nos ônibus urbanos, o ticket tem validade de tempo, ou seja, você pode usar o mesmo ticket quantas vezes quiser dentro de, por exemplo, 60 minutos.
    • Em todas as cidades, até mesmo nas pequenas, existe um posto de informações turísticas.
    • A qualquer hora do dia que você liga a televisão, tem um boletim da meteorologia, que fornece precisamente uma série de informações.
    • Eles não sabem o que é brigadeiro, guaraná e nem restaurante self-service.
    • O francês tem mania de reclamar de tudo, e quando você vai fazer uma reclamação com eles, sempre te respondem “Sinto muito, senhor”, mesmo quando você percebe que não estão se esforçando para te ajudar.
    • E por último, não se assuste com o top-less nas praias, pois isso é mais do que comum lá.

Giovanna Assis

email

Por: ManoelEm: 21.09.2008 | Em Estudar  | Tags: Estudar, França, Intercâmbio 
Curta no Facebook:

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *